04 agosto, 2009

Ainda

Vim ver o sol daqui de onde me posso recordar de mim, ainda.
Gosto de dizer, ainda.
Se pensasse agora na quantidade de coisas que não pude dizer às pessoas para não as magoar...
Gostava de mim, ainda, se as tivesse dito todas uma a uma. Gostava de mim mais...
Agora acho que sim.
E tu vais de férias para um lugar bonito e sem saber vais trocar o que és pelo que vês.
Claro que isto digo eu, que vivo com a alma da velha que perdeu o tino há muito tempo. Nada que um jovem como tu entenda. Nada que eu entenda quando me transformo em bailarina.
Agora aqui para nós, ver o sol daqui, voltar a ver o sol daqui fáz-me amolecer o corpo como o da osga molhada, fáz-me ficar parada à espera de palavras e elas crescem-me na boca e eu digo-tas escrevendo. Vou ter saudades tuas. E ainda bem. Mas como sou poeta, sei que o que vai é um e o que vem é outro. Como a barriga da mamã que cresce todos os dias mais um bocadinho.

02 maio, 2009

Deixa lá

Podemos falar para sempre das razões que há para se gostar. Todos os exemplos de uma vida de tudo o que gostaste. Totalmente, aos bocadinhos, por ter beleza, por ter palavras que te fazem sonhar, por ser tua ou por não ser. Gostas porque queres. Tudo o que vês, queres porque sim.
Eu agora queria aquela musica da Ana Moura para fazer um filme, mas não a encontro, encontro as outras todas... e talvez só por isso queira exactamente esta.
O macaco que detestas pode ter a mesma magia que o ser perfeito que precisas que vejam em ti.
Podemos "complexar-nos" para toda a eternidade com o que quer que seja e discutir o mundo e as pessoas... E estar contra ou a favor. Interessa que fáça sentido para cada um de nós o que está a fazer, a discutir ou a ver, senão é tempo morto, é paragem à espera do dia de voltar a viver, ou da musica que se quer de facto trabalhar, sei lá...
Sei lá o que tiras do que digo. Ou se consigo dizer alguma coisa do que penso. às vezes vivemos uma ilusão tão grande e é tão bom, outras vivemos verdades tão sem cor.
Sim, podes chegar ao dia 17 e perceber que não queres discutir, podes querer carinhos e sorrisos e passeios calmos à beira mar. E essa liberdade é magnífica. Terás as tuas razões. E olha, é disso que falo tantas vezes, das pessoas submersas na razão, algo que não tem discussão de facto, que serve talvez para me separar do mundo, tornar-me invisível aos monstros belos do meu planeta...
E a ti...
Porque tambem, magníficamente quando depressa queremos fugir da fera, mais depressa a fera pressente o medo e ataca.
Que giro que é viver!
Vamos falando
E quando nos sai chuva pela boca
e perdes a vontade...
Deixa lá.

07 fevereiro, 2009

Que nome dar a isto? Meg?

Não queria ficar para sempre no Natal, até porque não gosto dele. Resolvi sair de repente, assim meio a correr e aqui estou.
O tempo pássa e um dia dedicamos tempo a isto ou áquilo e encontramos o momento exacto em que parámos. Nós todos. Até a outra maluca! É essa a nossa liberdade, poder dizer "não volto mais aqui" e não importa... E não importa mais nada. Aquele poeta brincava aos que mudam de opinião. E às vezes parece que mudámos sem mudar. Dizia-te eu que Ela era forte, pois é! E acho. Mas acho que é como uma menina inconsequênte do tipo que saltita pelos parques de vestido às cores e laçinhos no cabelo. Mas forte. Sabe fazer cara de má e é profundamente consciente da sua solidão. Ainda a hei-de ver num filme novamente, porque se não vir, é só por acaso que está a fazer outra coisa. E o poeta se a visse acharia que tinha mudado, mas não, só se muda o que os outros veem, ela está toda naquilo que é. Estava quando ainda era muda e eu adivinhava e está agora quando tenho mesmo de me esforçar para que não me desiluda com a frase dramática que deu ao "vou ali já venho". Espero que não volte. Ou espero que o faça com uma subtileza elegante que pode ser que ainda vá aprender a ter. Que não se espante e que não exclame.
O belo é que gostamos das coisas por nós. E eu posso ainda gostar dela por mim.
Acho que posso. Quer dizer...

08 dezembro, 2008

Natal

Vê lá, o Natal é como aquela etapa cansativa do percurso que tenho que atravessar, há luzes e cores como quando era menina, há mais sorrisos e mais lágrimas e eu não me encontro fácilmente em nada.
O Natal é tão bom como é mau e por isso cansa-me. Sinto-me a balança das intenções e das ações dos outros e peso no meu sentido de humor estranho o que me dizem nas suas profundidades ou nas suas superficialidades... e deve ser isso que eu peso... e detesto. Mas implico.
Eu até acho que a minha formula é simples, é aquela da paixão da vitima pelo raptor. Para tudo há um ponto médio que é preciso alcançar e rápidamente o meu cérebro processa a conta até ao numero final que não pode ser nem muito alto nem muito baixo. Dispo, eu sei... Dispo tudo para sentir se gosto, se me cai bem a forma que tem. E no Natal custa mais porque há mais formas, há mais conversas e mais motivos. Não se pode tão fácilmente fechar a porta ou passar sem olhar. Às vezes desato a rir de mim, será que me apetece ser antipática para equilibrar... ?

08 outubro, 2008

06 setembro, 2008

Call Girl


foto - Ashley Dupré


Gostamos, é bom, é mesmo o melhor do mundo.
O sexo é mais importante que nós. Alguns dizem que importam os filhos, o amor, a religião, a criação de um qualquer projecto, a dedicação... Mas o sexo é que fáz os filhos que vão fazendo tudo isto e que vão fazendo filhos.
As armas, a droga, o resto que inventes, existe depois do sexo. E só há armas porque houve sexo, só há politica e droga porque há sexo.
Claro que podemos ser tudo o que quisermos sem sexo. Cada um de nós é uma peça dispensável num puzzle focado do infinito e não é por aí que o mais importante para a natureza deixa de ser sexo. Sexo é mais do que a forma com que a boca mexe e se tiver dinheiro para fazer com que ela se mexa num sorriso, posso mais fácilmente manter a ilusão de que sou verdadeiramente feliz.



  • Página da Ashley Dupré no myspace Achei que os comentários estavam tão a propósito com o que falávamos sobre as razões de cada um para fazer o que quer que seja. E depois as "condenações" são excelentes. E os comentários dela, aliás toda a página: "eu sou musica" sim... e, ...pois "não, não tenho medo de perder fãs" ... Porque... Claro, porque ganha sempre qualquer coisa, já ganhou e vai ganhando e sabe... e diz, que a droga não a matou quando saiu de casa para vencer sózinha.
  • Gosta de sexo, claro que sim. E dela. Como todos nós.

    E quem disser, não, eu cá não gosto dela é para dizer que prefere loiras ou morenas de olhos asssim ou assado... É só mais do mesmo.

    Call girl é um produto da sociedade e o seu discurso e a sua apresentação tambem. Ou melhor, quero dizer-te que a sua forma de dizer ou mostrar que adora sexo, tambem é um produto da sociedade.

    É que nós não somos assim tão diferentes uns dos outros. Diferentes, só os objectivos.

    19 julho, 2008

    Não deves lembrar

    Não deves lembrar, mas eu quis lembrar-me de um livro que me deste e que não leste...
    O mundo independe de mim e eu não entendo o que digo, nunca mais vou entender o que digo.
    E se nós não tentassemos enteder o mundo pelo "eu" e se nós por fim conseguissemos entender o mundo pelo "eu".
    Tu não te lembras e eu olho para uma frase qualquer e digo-ta docemente ao ouvido, para que nunca a consigas entender... "Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando". E tambem ter a coragem dum sonâmbulo que simplesmente vai.

    23 junho, 2008


    Este medo de ter medo não é nada bom.
    Às vezes penso que já nem me lembro de como era não sentir nada por ali.
    Tenho um baixo que se enche de sombras pequeninas a crescer até se tornarem crisálidas que depois crescem até se tornarem imagos.
    E quase sempre o meu alto não consegue acompanhar o mistério da vida, sem que se lançe ele próprio no mundo das larvas. Eu tento subir por mim, mas é uma luta do caráças. E quando lá chego, ao cimo, vem o medo de ter medo outra vez, e lá recomeça tudo de novo...

    19 junho, 2008

    ...Ai estes uteros...



    Lembras-te da Eva?
    Morreu de cancro do utero... Aos 33 anos.

    13 junho, 2008

    Custa tanto saber o que se sente quando reparamos em nós!...

    Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é dele
    e não se cura de fora.
    Porque sofrer não é ter falta de tinta
    ou o caixote não ter aros de ferro!

    Fernando Pessoa

    10 junho, 2008

    Homens Geniais

    Os génios verdadeiros são escassamente encontrados na história da humanidade.

  • Reflexões
  • 13 abril, 2008

    Faz Uma Loucura Por Mim

    E o amor devia ser sempre mais do que não querer perder

    Não importa o aspecto ou a forma que adoptam, são todas assim, mulherzinhas.
    A experiência ensinou-lhes montes de coisas e usam com orgulho o orgulho que acham que devem ter quando tudo corre mal.
    Mas corre tudo mal, sempre. Mesmo quando corre bem.
    Corre mal porque ser homem é amar de maneira diferente.
    Claro que eu sei, depende do homem, então claro que eu sei, depende da mulher. Mas então porque é que são tão iguais umas às outras. Assim.
    É porque isto não são elas. Isto é o que acham que devem ser. É mais uma regra igual às regras todas que há para o Ser. Mas pelo menos no amor, na entrega (como diz a outra) devia ser diferente. As mulheres (que pensam e são inteligentes) deviam sentir o sentimento como de facto se sentem a elas próprias. O orgulho no lugar certo, no fundo delas e sempre... Mesmo quando tudo corre bem. Tu não sabes. Não tens como. Mas eu detesto aquela sensação que me é dada na transmissão de um grande, grande amor, de uma forma que não é a que eu leio no transmissor.
    Errada. Sim, sou eu que tenho a cabeça no carrocel, sou eu que estou errada. Que vejo mal. Isso era bom. Penso. Ainda bem. Mas elas continuam a surgir-me assim. Mulherzinhas.
    E tambem porque principalmente é assim que os homens as querem. Mulherzinhas.
    E se eles não são o que elas querem, (dizem), elas são precisamente o que eles querem.
    Não tinha mal, não teria nenhum mal, se elas tambem o quisessem (quando tudo corre bem).
    O peso desta angustia de sentir que nunca chega o amor de uma mulher, nunca chega, mesmo que ele seja mais do que perfeito. O mundo inteiro já deu conta disso. Na publicidade, na moda, na constante sedução, na forma como a própria mulher se entrega. Não chega. E principalmente se ele for perfeito. Não chega.
    Eu acho que nem ele nem ela sabem o quanto querem o outro, apenas sabem que não querem perder.
    E quando o homem e a mulher se põem a pensar aí então já nem a natureza pode seguir o curso.
    Valía mais que pensassem muuito, com muita inteligência, mas fossem animais de vontades superiores aos desejos que têm na cabeça...

    Mulher

    Assim de repente...
    Querias saber o que é ser "mulherzinha"...
    Isto é o que é ser mulherzinha.

    A Loba - Alcione

    03 abril, 2008

    Exactamente como nos filmes

    Não tenho muito para oferecer
    Nem tenho muito a tirar de ti
    Sou uma principiante em absoluto
    E sou absolutamente sã
    Desde que estejamos juntos
    o resto pode ir para o inferno
    Eu amo-te absolutamente
    Mas somos principiantes em absoluto

    De olhos complectamente abertos
    mas mesmo assim nervosos

    Se a nossa canção de amor pudesse voar pelos montes
    Pudesse rir nos oceanos
    exactamente como nos filmes
    Não há razão Para sentir os tempos maus
    Para deixar cair as linhas dificeis
    é absolutamente verdade
    Não há muita coisa que possa acontecer
    Não conseguimos abanar o sistema
    somos principiantes em absoluto
    e não temos tanto a perder
    desde que continues a sorrir-me
    eu não preciso de mais nada
    eu amo-te absolutamente

    But were absolute beginners

    But if my love is your love
    Were certain to succeed
    If our love song Could fly over mountains
    Could laugh at the ocean
    Just like the films
    Theres no reason To feel all the hard times
    To lay down the hard lines
    Its absolutely true


    25 março, 2008

    28 fevereiro, 2008

    Aqui tambem andamos sós

    Sentadinha na carpete, no escuro do quarto. Sem saber muito bem onde está. Isto é sexy.
    Do pescoço para cima.
    Com boa luz tranforma-se na Saffrom ou no que te apetecer. É sexy, sim.
    Mas não é facil de ver. O imediato diz-nos que é estupida e tonta e ficamos por esta noção, pois temos muito pouco tempo.
    Mas depois tambem é evidente que não é pelo acto só. Não é qualquer uma que é sexy a fazê-lo na carpete.
    Isto é muito pessoal. A tua frase de altos e baixos serem precisos para estar tudo bem, é tambem. Não é agradavel saber que quando está tudo muito bem, algo já está a morrer.
    A dualidade que complecta tudo, tem que haver por dentro ou é uma cagada.
    Mas sim tambem podemos ver tudo em todo o lado que ninguêm consegue rebater. É sempre pessoal. E se não é preciso muito para chatear uma mulher. Um pouco disto transforma-me logo numa fera. Devo querer por força colocar o teu "pessoal" ao meu jeito. Isto está errado.
    Nunca esteve bem. Devo perceber que há outras belezas, que não a que os meus olhos captam. Há outros segredos por tráz das coisas.
    E aqui tambem andamos sós.

    01 fevereiro, 2008

    23 janeiro, 2008

    Sundance Film Festival













    (Colin Firth e Saffron Burrows - Sundance F. Festival)