23 maio, 2006

Escreve




Diz o que te apetecer. Sobre as minhas mãos, o meu cu, as minhas minas anti-pessoais... Diz que "guerreio" e mais outras coisas tão longas que fáço quase sempre.
Acalma-me, acho eu, ler o que escreves de nós, ainda que evites repetir-te.
Eu não acho repetição. Estas coisas são como os abraços, dão-se muitas vezes mas nunca se repetem. Às vezes chove, às vezes está-se mais triste, a roupa roça na roupa duma maneira diferente. Acalma-me... Há sempre tantos dias no futuro para não o fazermos.

(foto - Penélope Cruz e Sérgio Castellitto em "Non ti muovere")

20 abril, 2006

Existir e pronto



Acontece o abismo, quando tentamos perceber o que cada um quer dizer com o que diz.
Até os nomes mais universais deixo de conseguir como prova porque para ti, nesse teu universo com limites que defines, não havia uma Gisele Bundchen ainda.
É sempre esta a ideia com que fico. É a filosofia. Não nos serve para nada, porêm serve-nos para tudo. Nem que seja para que depois de muitas dúvidas algumas definições passem a ficar muito claras dentro de nós.
Sim, apresento-te o "raramente tenho dúvidas" da pessoa que se conseguiu esclarecer sobre como sente e como se deixa atrair, que depois até se permite mudar de opinião para exactamente o contrário apenas porque o mundo (como diz o outro) é dinâmico.
Mas tenho aquela forte impressão de que no mundo da moda é tudo mais ou menos o mesmo. Os tais trampolins para a fama que são relações com famosos, actores, cantores, nomes que vendem por eles próprios já sem dependência com o que estão a fazer. Mas que quando não é assim, tambem se critica o esquecimento e diz-se por aí que tudo passa muito rápido.
Há o verso da medalha, na fama quando se sobe muito, desce-se logo a seguir. E é uma carreira que depende das opiniões... Imagina as opiniões de todas as pessoas que circulam pelo metro por exemplo amanhã de manhã. Imagina o que cada uma dessas pessoas que frequenta o teu café opina sobre a Bundchen ou a Seymor ou o que quer que seja.
Horrivel de imaginar! Eu acho até que para muitos é igual, uma carinha bonita, outra carinha bonita, um corpo bem feito ou uma imagem que os levaria a comprar fosse o que fosse. Porque provavelmente (como tu dizes) para quê pensar nisso?!
Existir, admirar... Sem querer saber porque se admira...
Existir e pronto! Dizes tu.
Assim, talvez nem devesse constatar a grande diferênça que fáz o pobre do cabelo estar na moda ou nem por isso, para algumas pessoas. Nem ter opinião sobre a que horas (no relógio cósmico) essam pessoas começaram a invadir os chats. Se são mulheres ou são homens... E aquilo que mais gostam de fazer.
Mas existir somente e deixar-me atrair, ía dar no mesmo, eu atraía-me pelas mesmas que me atraiem e não me atrairía pelas outras, pelo menos é o que neste momento me faz dizer que raramente tería dúvidas sobre a cintura, a forma, a doçura e principalmente pela maneira como as pessoas existem e pronto.
(foto - Gisele Bundchen)

11 abril, 2006

O amor... de qualquer forma



"You call it Madness, but I call it Love" - Don Byas.

(foto-Natalie Press e Emily Blunt-"My summer of love")

06 abril, 2006

Arsenal



Aqui não pude festejar a vitória, por isso fica a festa de uma outra vitória, com as mesmas cores... Até porque esta noite voltaram a vencer e seguiram em frente...
Ainda bem...

(Ruth Gemmell e Colin Firth)

29 março, 2006

Mais um pouquinho dela




Foto antiga cheia de risquinhos pela cara, mas estava a recordar aquela vóz doce, fui ouvi-la por aí à net...

"Where ya gonna go? Where ya gonna run? Where ya gonna hide? Nowhere. Cuz there's no one... like you... left."

(foto-Meg Tilly em "Body Snatchers")

18 março, 2006

The lonely road




E a musica vai ficar ainda para mais tarde, hoje é uma viagem pela estrada solitária. O tempo a não se deixar agarrar, a tornar tudo insignificante, menos o que gostamos de guardar no peito e alimentamos.
Sinto que ao longo das estradas solitárias nos foram alimentando os sorrisos... Quem?
Tambem nos alimentaram as tristezas, as mágoas e muitas outras coisas azuis. Os anos foram gastos de qualquer maneira, bem ou mal somos os actuais com as memórias dos passados que escolhemos não abandonar, e se achamos que o fazemos de propósito, passamos a achar que sem propósito somos dominados por muito do que está na berma da estrada.

(foto - Colin Firth e Anthony Hopkins, "the lonely road" 1985)

07 março, 2006

E este céu azul... ?



Era assim que via o sol pelas janelas.
E numa cidade onde até a chuva fica bem. A neve e os grandes bocados de céu desta cor, tornam-se então perfeitos.
A musica segue mais tarde.

22 fevereiro, 2006

Num mundo perfeito



Ali na TV alguêm condenado à morte diz que recebeu inumeras cartas de mulheres a querer sexo com ele, mulheres de todas as idades a escreverem para a prisão. Diz ele que a vida é imunda, as pessoas são estranhas e cheias de razões doentes às quais só chegamos quando queremos ter mesmo essa intenção. E agora as biografias interessantes são estas, de assassinos e loucos que arrastam as partes cruéis de quem tambem o é, noutra escala.
Estranhas... As partes estranhas...
Num mundo perfeito o ganso não teria adoecido.
Num mundo de gente menos imperfeita o último dia da nossa vida, sabendo ou não, seria mais ou menos igual aos outros...
Num mundo perfeito sentiríamos muito mais e concluiríamos muito menos.
Seríamos muito mais por nós e muito mais pelos outros. Em vez de quase nada por nós e muita conversa e papel assinado.
Represento se chamar as luzes ao meu lugar no palco, senão tens que me representar tu...
E só te engano se souberes, se não souberes nunca te enganarei.
(foto-Björk)

15 fevereiro, 2006

Que coisas de mim, aí deixei ficar, no porto?



Mas não costumas gostar de ficar aí...
Fiquei aqui a pensar de que maneira as ruas se confundem...
Ou te confundem...
E se as janelas que cansam, que me cansam, te cansam...
Que coisas de mim, aí deixei ficar?

(foto-Toronto)

09 fevereiro, 2006

Protège-moi, protège-moi




Protege-me do que eu quero, se perceberes como, ou tenta elevar a definição de duas mãos com meio compromisso, eu acredito, embora todas as vezes que me lembro, me impeça a mim mesma de lembrar com mais significado...

"Sommes nous les jouets du destin
Souviens toi des moments divins
Planants, éclatés au matin
Et maintenant nous sommes tout seuls
Perdus les rêves de s'aimer
Les temps où on avait rien fait
Il nous reste toute une vie pour pleurer
Et maintenant nous sommes tout seuls

Protect me from what I want
Protect me from what I want
Protect me from what I want
Protect me
Protect me"
(Placebo)
(foto - Uma Thurman e Quentin Tarentino)

25 janeiro, 2006

Beauty above all




Acabei o "singing songs" e fiquei com a menina de 4 anos a sorrir-me, com uma calma destas, igual à que tu tens.
Dei-lhe um olhar parecido ao teu... E depois fiquei a observar-te nas revistas antigas, nesta capa onde quase sorris.
E se te olhar mesmo muito, se o fizer durante um tempo, começa a parecer-me que não, que sería impossivel começares a sorrir a partir dali. E assim volto ao principio e vejo tanto nos teus olhos de amendoa...
É o tal oceano que escreveram que tu tinhas na alma.
Acho que poucos têm oceanos na alma, têm rios, mares, lagos ou poços, têm charcos que refletem o sol ou a lua, mas não têm assim uma imensidão que se detecta em tão pouco tempo.
Meg a angelical, pois sim.
E eu digo que não são os olhos...
É a maneira de olhares...
E é a vida que tu escolhes. E as voltas que dás e não dás. É todo o espaço que te habita quando te moves para ficares parada onde não temos como te ver.
É a frase que ficou escrita e que se aproveita pela eternidade porque não se escreveu nenhuma mais.
Enquanto o resto do mundo venera só as estrelas que morrem cedo e as que circulam nos percursos iluminados...

18 janeiro, 2006

O que ela ainda fáz



Certas pessoas são-nos impostas por sei lá que meios e direcções e temos que levar com elas apertando a barriga com o embaraço que em 2 minutos nos causam. A grande America tem disto. Ainda não dispensou a Joan. Agora é com erro atrás de erro que a vemos sorrir para as cãmeras. Já não interessa. Já é hábito enganar-se no nome de quem entrevista e é hábito não saber o que está a dizer, mas ficam as cores e as plásticas. E os entrevistados, coitados, ainda agradeçem qualquer coisinha simpática que ela diga. Eu vejo-a, encolho-me toda e enrrugo-me, é complectamente desconcertante. Mas vai ficando por aí de microfone na mão, a desculpa é que já são sete décadas (salvo erro) e dá para rir, alguns devem rir, outros sei que se enrrugam como eu.
Desejo-lhe muitos anos de vida, mas poucos já de trabalho!
Ó por favor!

(foto-Joan Rivers)

17 janeiro, 2006

Assim penso



O pensador, afundado em si mesmo. A pose longe do pensamento abstrato, muito real e definida, pose de quem está a pensar e sabe como se pensa.
Na minha pose, estou mais ausente. Pareço não acertar totalmente com a linha onde a ideia se equilibra, estou abstrata... Vão dizer como no expressionismo que isto me vem de uma qualquer revolta. Eu aceito...
Era só para dizer que penso...

(foto-Scarlett Johansson)

12 janeiro, 2006

Amar é pensar



Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
(Alberto Caeiro)

(foto-Kate Beckinsale)

06 janeiro, 2006

O exemplar Visconde de Valmont




Valmont, com o seu amor provisório, complectamente irresistivel. Tão representativo do que desperta os sentidos ao sexo masculino.
Este mesmo argumento foi o que serviu o filme "Dangerous Liaisons" mas este último com muito mais impacto no público. A mim marcou-me este Valmont subtil que parece acreditar poder mudar a sua essência após uma noite de amor. Respondem-lhe que um homem quando muda é para pior. E de facto as suas paixões sempre foram curtas em tempo.
Sobre os dois filmes, acho que o "Valmont" tem a beleza da arte no seu melhor ponto. E o "Dangerous Liaisons" é apenas um filme. Que resulta por uma data de razões mas que é "carregado" na cor e no gesto, na representação e na ironía... E que provavelmente resultou para o público em geral, pelas mesmas razões pelas quais me desagradou.
Diz-se que Milos Forman nunca optava por soluções simples, os seus personagens eram mais ambigúos e isso talvez lhes tivesse dado a ideia de Seres reais.
Agrada-me. Agradou-me. Continua a encantar-me.


"Possuirei aquela mulher; arrebatá-la-ei do marido que a profana; ousarei tomá-la ao próprio Deus que ela adora. Que delícia ser alternadamente o causador e o vencedor de seus remorsos! Longe de mim a idéia de destruir os preconceitos que a assaltam. Eles aumentarão minha felicidade e minha glória. Que ela acredite na virtude, mas para sacrificá-la a meus pés; que suas faltas a amedrontem sem poder detê-la; e agitada por mil terrores, não possa esquecê-los e dominá-los senão em meus braços. Então consentirei que ela me diga: 'Adoro-te'."

04 janeiro, 2006

Entre pairar ou levantar




Se em alguns dias não nos seguramos a nada, temos a vaga impressão de que estamos a pairar num lugar que deixámos adormecer quando eramos pequeninos.
A nossa melhor voz avisa-nos que acordar pode significar olhar de novo para as coisas. Pode significar...
Reconheço que me levanto um pouco à pressa, mas depois acredito que talvez seja a minha meta a fazer-me correr. Salto para as conclusões. Gosto de concluir. E gosto de concluir depressa demais.
Tenho imensa pena. E depois tento segurar-me, só que quando é tarde fico naquela dúvida estranha entre pairar ou levantar de novo.
E só sou mais forte que isso,
nas poucas vezes em que isso não é mais forte que eu.

(foto-Madonna)

25 dezembro, 2005

Corpse bride




...Então ela fez um voto debaixo daquela arvore.
E ele apareceu, assim estranhamente.

21 dezembro, 2005

A arte de perder




The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

Elizabeth Bishop

(Susanne Grinder fotografada por Henrik Stenberg)

17 dezembro, 2005

Assim como um espelho de mim




Gostar ou não... Amar, não amar... E o quê?
O que é que cada um ama? Os olhos, a postura, o sorriso?
O que existe no todo, ou o que existe só numa parte...
Vem da alma ou de outro lugar qualquer, o amor?
Na verdade não importa sempre, porque a dedicação ao outro Ser é o que depois nos fáz dizer que o amamos.
Conheço-te na multidão, mas podias ser outro qualquer. Fáço questão de te evidenciar dos outros dentro de mim... Para o mundo somos todos iguais para os corações uns existem outros não. E por vezes vem o tempo ou a dor e muda tudo. Renascemos das cinzas ou agarramo-nos ao passado porque não queremos seguir em frente.
O "por acaso" é que não tem piada, por isso tento ver nas proximidades ou nos desejos algo mais do que aquilo que se vê apenas. Como se pudesse ver o próprio sentimento assim como um espelho de mim, o que é que existe ali que me atrai e se está lá a fonte para me manter atraída ou se é só alguem que os meus sentidos dizem ser bonito.
Gosto de olhar e sentir é bonito de mais, sabes?
Bonito de mais, o meu corpo a dizer-me que não há qualquer explicação.
Escolhi a foto antes de ter acabado de escrever, ela não é um bom exemplo do que para mim é bonito de mais, mas é um bom exemplo do que é bonito, provavelmente na multidão não teria o meu abraço.
Se é façil investir em pessoas bonitas? Claro.
Sei que te ficas pelo patamar do "um pouco por acaso",a onda de perfume que nos embriaga os sentidos. A cor do vestido na musica.
Repara... provavelmente até somos todos assim, só que eu não consigo reconhecer...
(foto - Nicole Kidman)

13 dezembro, 2005

Colin Firth hands the Big Noise petition to Peter Mandelson




Why is Fair Trade important?

International trade flows have tripled in the last twenty years, but the benefits of this trade are unequally shared.

((Oxfam estimates that as a result of improved corporate behaviour, poor coffee farmers have benefited by an approximately £9 million increase in incomes – a tangible benefit of your campaigning. But clearly there is much more work for the coffee industry still to do.))